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Fundo de pensão mira rentabilidade no mercado internacional

  • 14 de ago. de 2015
  • 3 min de leitura

Conservadores, aos poucos os fundos de pensão vão testando o mercado externo como novo caminho para diversificar as aplicações. O Valor uniu dados da consultoria Towers Watson e da RiskOffice Inteligência Financeira para estimar que o volume investido por entidades de previdência fora do país é de, no mínimo, R$ 760 milhões. "Estamos caminhando rapidamente rumo à casa do R$ 1 bilhão", diz José Ribeiro Neto, presidente da Abrapp, associação que representa o setor.

A RiskOffice contabiliza R$ 633,9 milhões investidos por 21 planos de previdência entre as fundações que têm como clientes. Outros R$ 127 milhões representam uma parcela de 0,7% do patrimônio de fundos que recebem consultoria da Towers Watson.

Ainda que o montante seja insipiente frente aos R$ 699,5 bilhões em ativos investidos pelo conjunto das fundações brasileiras, a avaliação unânime entre gestores e consultores é que o processo de internacionalização é estrutural, veio para ficar. E as perspectivas são de crescimento contínuo dos valores.

Com R$ 350 milhões, a Funcesp, fundo de pensão com dez patrocinadoras do setor elétrico paulista, é, entre cinco entidades consultadas, a que tem o maior volume destinado aos mercados americano e europeu. O valor corresponde a 1% do total de seu patrimônio. "Somos o Chile há 20 anos", compara o diretor de Investimentos da entidade, José Simino, lembrando que os fundos de pensão do país vizinho atualmente investem 45% de seus recursos.

A maturidade dos planos exige aperfeiçoamento técnico para que possam buscar a rentabilidade almejada. Segundo Ribeiro Neto, gestores têm em mente que o ciclo de alto rendimento em renda fixa está datado e se prepararam para ampliar seu portfólio. "Entre 2012 e 2013, já houve mostra do quão difícil é gerir carteiras com juros reais baixos."

"No exterior, há diversidade, ativos disponíveis no mercado acionário que não há por aqui", complementa Maurício Wanderley, diretor de investimentos do Valia, dos trabalhadores da Vale. O plano é investir, aos poucos, R$ 100 milhões durante este ano. O valor equivale a 4,5% do plano Vale Mais.

Muito embora os fundos estejam vendo vantagens, não há uma corrida ao exterior. A projeção da Abrapp é que, no horizonte de cinco anos, o volume de recursos aplicados ainda não terá alcançado 5% do patrimônio global das entidades. Pela legislação em vigor, é de 10% o limite para essa modalidade. "Apesar de discussões sobre a necessidade de elevar esse percentual, ainda não é preciso", ressalta Alberto Jacobsen, presidente da RiskOffice.

Uma das pioneiras a testar o terreno, a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, começou seu movimento no início do ano passado. Mas seus investimentos são muito modestos em relação a seu patrimônio de quase R$ 170 bilhões. Luciana Freitas Rodrigues, gerente-executiva de mercado de capitais, conta que foram feitas três tranches, totalizando R$ 79 milhões, sendo que a maior parte atrelada ao chamado Plano 1. "Em 2014, estávamos confortáveis para fazer os investimentos até por causa do câmbio. Agora estamos mais cautelosos", disse. De lá para cá, a entidade viu os recursos renderem mais de 40%, já contabilizada a variação cambial no período, e alcançarem R$ 95,8 milhões, no Plano 1, e R$ 10,6 milhões no Previ Futuro em junho.

"A política de afrouxamento monetário na Europa ainda deve trazer um impacto positivo para as ações, ainda deve ter prêmio lá", disse Cesar Soares Barbosa, diretor de Previdência da Sabesprev, dos funcionários da Sabesp. Segundo ele, por ora, não há intenção de aplicar no mercado japonês, que está com política monetária similar com o intuito de elevar a inflação local. Sobre os riscos de uma virada da política monetária com a alta de juros nos Estados Unidos, Barbosa avalia que os juros maiores devem ter impacto no desempenho das ações, mas que o movimento "será suave".

A Sabesprev aplica em três fundos de renda variável no exterior. Em dois, nos Estados Unidos, a entidade aplicou R$ 20 milhões no total. Nas bolsas europeias, R$ 5 milhões, com perspectivas de aumento dessa participação.

A investida no exterior também faz parte da política de investimentos entre 2015 e 2019 da Funcef, fundo de pensão dos trabalhadores da Caixa, que tem patrimônio de R$ 55 bilhões. "Vamos iniciar o processo ainda tateando, com até R$ 100 milhões. Mas podemos chegar a R$ 500 milhões no prazo de cinco anos", diz Maurício Marcellini Pereira, diretor de investimentos, referindo-se à totalidade dos recursos referentes aos quatro planos de previdência que são geridos pela fundação. Segundo ele, a baixa correlação dos ativos externos com os domésticos é uma vantagem. Esse balanceamento ajuda a compor uma carteira em que exista melhor relação entre risco e retorno.

O plano de Benefício Definido (BD) do Postalis, fundo de pensão dos trabalhadores dos Correios, aplicou até maio R$ 135,13 milhões, o que representava 2,59% do total de sua carteira. (Simone Cavalcanti - Valor Online)


 
 
 

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